A Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Lazer de Feira de Santana realizou uma coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (7), para esclarecer o motivo da não liberação de recursos municipais para a Liga Feirense de Desportos, a fim de que a seleção feirense participe do Campeonato Intermunicipal 2018, que terá início no próximo domingo (12).

De acordo com o secretário Edson Borges, o valor da verba é de R$ 150 mil, que deveriam ser liberados através de uma parceria entre o município e a entidade. No entanto, segundo o secretário, a Liga Feirense não realizou a devida prestação de contas do dinheiro liberado em 2017 e até o momento não sanou as irregularidades apresentadas pela Controladoria Geral do Município.
“De dezembro para cá, até agora, a informação que eu tenho da Controladoria Geral do Município é que essas irregularidades não foram sanadas, inclusive eu tenho o parecer final do auditor das contas, que é o gestor de esportes Juraci Galdino e é um auditor independente de esportes na secretaria. Essa prestação de contas continua irregular e a gente não pode liberar a verba para a seleção feirense participar do intermunicipal agora em 2018”, informou o secretário Edson Borges.
Ele esclareceu que não existe nenhum tipo de má vontade ou perseguição, seja do poder executivo ou legislativo, para a liberação do dinheiro, uma que há uma documentação provando que a parceria com a Liga Feirense de Desportos para o Intermunicipal para a seleção feirense foi aprovada este ano pela Câmara Municipal.
“O poder executivo mandou o projeto e a parceria foi aprovada. Da mesma forma, eu como secretário de Cultura, Esporte e Lazer, fiz a suplementação orçamentária de maneira a garantir os R$ 150 mil da parceria para 2018. Então o dinheiro está devidamente aprovado, seguindo todos os trâmites legais, só depende agora da Liga Feirense regularizar a prestação de contas de 2017. É uma situação semelhante ao que ocorreu com o bloco Quilombola, na micareta de 2018, em que a prefeitura não pôde liberar recursos para os grupos que desfilam no Quilombola, porque a prestação de contas de 2017 estava irregular”, salientou.
O secretário de Cultura, Esporte e Lazer apontou ainda alguns exemplos das irregularidades encontradas na prestação de contas da entidade.
“Nós temos 18 irregularidades. Há uma série de coisas que precisam ser esclarecidas. Alguns exemplos são o pagamento ao senhor Ilder Sales de Lima Ramos a importância de R$ 1.950 como delegado de jogo, só que ele é atleta da Liga Feirense e isso não pode. Outro exemplo é uma pessoa que foi contratada no projeto por R$ 4.900, assinou o recibo, mas na realidade só recebeu R$ 700. Com combustível, foram gastos R$ 2.510, e 19 notas foram tiradas em apenas dois dias, em 17 e 18 de outubro, é uma coisa estranha, porque o período do campeonato é longo. Aos gandulas, nos jogos oficiais, nós pagamos entre R$ 20 e R$ 30, a Liga Feirense R$ 4.900 em cinco jogos. É uma coisa que precisamos apurar, afinal de contas isso é dinheiro público”, citou.
“Nós não estamos dizendo aqui que houve corrupção, e sim que há situações que precisam ser explicadas. A Liga Feirense de Desportos é uma entidade independente, tem seu estatuto, sua diretoria, e é quem pode promover eleição e escolher seus dirigentes. Não podemos interferir em nada, o que a gente pode fazer cobrar a prestação de contas pra que a gente possa liberar o dinheiro desse ano. Além das irregularidades que constatamos aqui, a controladoria do município constatou também que não houve o devido recolhimento de impostos, que são federais e municipais”, acrescentou Edson Borges.
O gestor de esportes, Juraci Galdino, contratado para realizar a auditoria das contas, confirmou as irregularidades apresentadas. De acordo com ele, o parecer final foi feito pela Controladoria do Município e deve ser encaminhado ao Tribunal de Contas.
“O parecer final é que além de não consertar as irregularidades encontradas pela auditoria, a entidade não recolheu os impostos de INSS e Imposto de Renda, daqueles prestadores de serviços. Entre as irregularidades apontadas estão a não abertura de conta específica em um banco oficial. A liga trabalhou com uma conta de um banco privado e isso não pode. Não foram anexadas as cópias dos cheques pagos a fornecedores e prestadores de serviços. As datas dos cheques sacados estão anteriores às datas das notas fiscais, o que tornou inapta a prestação de contas da liga feirense”, disse.
Em resposta às declarações, o presidente da Liga Feirense de Desporto, Iramar Lima, afirmou que se surpreendeu com as declarações do secretário Edson Borges e que, após a entidade dar entrada no pedido de liberação da verba, o dinheiro só saiu seis meses depois. Além disso, segundo ele, algumas notas foram resultado de acúmulo de serviços prestados por vários colaboradores.
Iramar Lima informou ainda que vai reunir todos os documentos, junto aos contadores, para apresentar ao secretário, e vai se pronunciar oficialmente. Ele lamentou também que após anos de serviços prestados à Liga Feirense, já ao final do mandato, a imagem dele seja desgastada dessa forma.

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